Privatização da Eletroacre afetará centenas de funcionários e a população acreana

 

A possível privatização da Eletrobras Distribuição Acre trará impacto para a vida de mais 300 trabalhadores. Assim que estatal for leiloada, os empregados deixarão de trabalhar para o setor público e passam a ser chefiados por uma empresa privada. A experiência de empresas que passaram por esse processo, mostra que isso significa planos de desligamento voluntário (PDVs), demissões e aumento nas terceirizações.

Hoje os empregados da Eletroacre são contratados por meio de concursos públicos, no regine de celetista. Não são funcionários públicos e, portanto, não possuem estabilidade. Porém, as demissões em estatais não são um ato de praxe, a não ser em casos de falta grave. Uma vez passado o período de experiência, de três meses, a vida profissional fica muito próxima da estabilidade.

Outra preocupação do Sindicato dos Urbanitários do Acre é a manutenção dos programas sociais, como o Luz para Todos e Tarifa Social (para família inserida no Bolsa Família). Para o secretário-geral da entidade, Marcelo Jucá, esse programa tende a deixar de existir. Segundo ele, a iniciativa privada tem uma visão de lucro e não para o social.

“Não podemos aceitar que o Governo Federal entregue Eletroacre à iniciativa privada. Isso vai acarretar enormes prejuízos aos trabalhadores, que perderão seus empregos, e a população que terá uma conta de energia não cara e com um serviço ainda mais precário”, disse Jucá.

A Celg-D, distribuidora que atua no estado de Goiás, é um exemplo negativo que uma privatização traz aos funcionários e também a população. A empresa foi comprada em 2016, pela Enel, desde então, a força de trabalho caiu quase que pela metade. Além disso, o que era 1.972 funcionários, hoje a empresa tem apenas 1.068.

“Veja o que está acontecendo na Celg-D. Funcionários perdendo seus empregos e os serviços à população de péssima qualidade. Somando tudo isso, a conta de energia é uma das mais caras do país. Caso ocorra a privatização da Eletroacre, o caminho será o mesmo e que vai arcar com os prejuízos será os consumidores”, disse o secretário.

Além da Eletroacre, o Governo Federal colocou a venda as distribuidoras CEPISA, CEAL, CERON, Boa Vista Energia e Amazonas Distribuidora. A União, acionista controladora da estatal, votou favorável à entrega das empresas. A União pretende arrecadar com as seis distribuidoras R$ 600 mil reais, ou seja, cada estatal será entregue, sem nenhum passivo, por R$ 50 mil.

De acordo com o diretor Mauro Bezerra, o objetivo é barrar a privatização das seis distribuidoras controladas pela Eletrobras, garantindo à população o acesso universal à energia elétrica. Os sindicatos têm procurado nas esferas jurídicas e políticas para evitar que esse processo não seja efetivado.

“Não podemos ficar parados e esperar que uma empresa tão importante para o Acre, como Eletroacre, seja vendida. Energia é um serviço essencial e por isso deve permanecer público e não passar para as mãos dos empresários”, disse Mauro Bezerra.

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