A pedido do Sindicato, Aleac realizam Audiência Pública sobre privatização da Eletroacre

A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), por meio da Comissão de Serviço Público, Trabalho e Municipalismo, realizou no último dia 22, no auditório da Secretaria de Fazenda, uma audiência pública sobre a privatização da Companhia de Eletricidade – Eletroacre, como base no requerimento apresentado pelo deputado estadual Daniel Zen (PT), por meio de um pedido feito pelo Sindicato dos Urbanitário do Acre.

O diretor de operação e expansão da Eletrobras Distribuição Acre, Danilo Klein, diz que o processo de privatização foi definido pela Eletrobras Holding e não pela Eletrobras Distribuição Acre. E quem está à frente dos tramites é o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) que solicitou informações da distribuidora para fazerem a avaliação da empresa e dar sequencia no cronograma.

“Para superar a inadimplência, a Eletrobras está recebendo um empréstimo do fundo da Reserva Global de Reversão para ajudar nos custos operacionais. E também combatendo as perdas e furtos de energia elétrica com cortes e suspensão de fornecimento”, afirma.

O secretário-geral do Sindicato dos Urbanitários, Marcelo Jucá, ressaltou a importância de levar o debate a população e também reforçou que a empresa deve ir a público explicar quais serão os benefícios caso ocorra a privatização.

“Eles querem privatizar de qualquer maneira. No final a população será a mais prejudicada, pois a conta irá aumentar e os serviços serão piores ainda. Temos levantado essa bandeira contra a venda da empresa, mas o povo precisa entrar nessa batalha”, salientou.

O presidente do Sindicato dos Urbanitários do Acre, Fernando Barbosa, diz que a audiência é importante para debater a privatização com o Poder Legislativo e a população que usa o serviço. Ele diz que em outros estados a privatização não foi positiva para os trabalhadores nem para os consumidores.

“Ao nosso ver, em nenhum momento vai ser positiva a retirada da obrigatoriedade do estado de oferecer um serviço público”, afirma.

Para o deputado Daniel Zen (PT-AC), a mudança pode afetar principalmente os moradores de locais de difícil acesso ou que foram atendidos pelo Programa Luz Para Todos. Segundo ele, há locais em que o serviço privatizado não é lucrativo e existe apenas por ser um serviço público. Com a privatização, a empresa pode causar o aumento da tarifa para obter lucros.

“Essa audiência é importante para chamar a atenção da população e debater um pouco sobre a situação da Eletrobras-AC e os impactos negativos que isso pode causar, sobretudo o aumento da tarifa. A partir do momento que passa a ser privatizado a empresa vai pensar em ter lucros, e para ter lucros em locais afastados é lógico que ela vai ter que aumentar a tarifa”, lamenta.

Ivan de Carvalho, presidente do Conselho dos Consumidores, disse que a qualidade do serviço prestado pela distribuidora não satisfaz a expectativa dos clientes. “Não temos uma energia de qualidade em nossas residências, outro ponto é o imposto cobrado pelo estado, que é quase a metade do que é consumido, que deve ser reavaliado”, disse.

O deputado federal Moises Diniz (PCdoB) diz que a regra da Eletroacre é fazer um esforço ‘gigantesco’ para levar energia de qualidade. “Todos os municípios do estado arrecadam menos do gastam, se for privatizada não haverá mais subsidio do governo e quem irá pagar por isso é o consumidor. E nossa luta é para barrar essa privatização”, declara.

Ao final do encontro foi acatada sugestão do deputado Moisés Diniz que seria, primeiramente, uma reunião com a bancada federal do Acre e assim viabilizar uma agenda com o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho. (Com informações de Dryelem Alves)

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