Sindicato avalia como positivo o III Congresso Estadual da categoria

O Sindicato dos Urbaitários do Acre realizou entre os dias 8 a 11 de dezembro, o 3º Congresso Estadual da categoria. A ideia foi debater os avanços para a classe e também definir estratégicas de luta para 2017 no enfrentamento as privatizações tanto do setor elétrico como também do saneamento básico.

O presidente do sindicato dos Urbanitários, Fernando Barbosa, comentou que além de ser estatutário, o Congresso foi uma das formas de organização da classe, que deve se manter unida para lutar contra as aprovações no senado que só retiram os direitos dos trabalhadores.

“É uma necessidade, principalmente nesse momento conturbado tanto econômico como politicamente, os trabalhadores podem ter um momento de discussão dessas situações que influenciam diretamente nas nossas vidas”, destaca.

Os temas foram tratados de forma global, mas os organizadores também setorizaram os debates, favorecendo as discussões fechadas a respeito das privatizações do Saneamento e do setor elétrico.

“Essa é uma questão que nos causa muita preocupação, o governo já acertou a venda das distribuidoras de energia para até o fim de 2017 e há ainda essa previsão de privatizar o saneamento. Os governos estão cedendo à uma pressão que já vivemos na década de 90. Quando o Governo Federal condicionou alguns repasses, ao fato dos governos estaduais se livrasse de algumas estatais para enxugar a máquina pública”, argumenta.

O 3º Congresso Estadual dos Urbanitários contou com a presença do professor-doutor, Sávio Maia, do Engenheiro Sanitarista e ex-secretário de Saneamento no governo Lula, Aberlado Oliveira, e também do professor de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Mato Grosso, Dorival Gonçalves.

Confira abaixo a entrevista com o presidente do Sindicato dos Urbanitários do Acre, Fernando Barbosa.

Qual sua avaliação da terceira edição do Congresso Estadual do Urbanitário?

O resultado dessa edição foi satisfatório pelo nível da discussão. O nível das discussões e como elas foram conduzidas foram excelentes. Entendemos que foi positivo, até porque precisávamos fazer a reforma do nosso estatuto e aproveitamos o congresso para estar fazendo essa modificação para tornar nosso estatuto mais atual para o momento em que vivemos.

Tivemos palestrantes com um vasto conhecimento sobre a privatização e foram dois dias de muito aprendizados para quem esteve presente.

O que saiu de positivo desse congresso?

Nós podemos afirmar que todas as deliberações tiradas foram positivas. Positiva porque? Por que o congresso reforçou a posição do sindicato em relação a luta contra as privatizações tanto no setor elétrico como no setor de saneamento básico.

Já em dezembro começa as ameaças de uma possível privatização do saneamento básico no Estado e hoje, em 2017, existe uma grande possibilidade de acontecer. Por isso naquele momento, o congresso criou diretrizes de defesa para empresa do Estado, a Sanacre, como também para a Saerb, empresa do município. Vale lembrar que todos os funcionários das duas empresas estão cedidos ao Depasa, autarquia criada pelo Governo do Estado.

Como o sindicato ver a questão da privatização tanto do setor elétrico como do saneamento?

A gente ver de forma ruim. É uma tentativa de retomada do neoliberalismo entre os anos 80, 90 e do início de 2000, principalmente na América Latina com a situação política de eleição de alguns governos, ditos democrático e popular, o assunto privatização deu uma parada, mas estranhamente com algumas medidas, que antes era posicionamento contrário da esquerda, deram uma ‘empurrada’ para que voltasse à tona o assunto da privatização.

E agora com a retomada de um governo mais à direita, isso se acentua ainda mais. Quando a gente aumenta mais para outros países da América Latina podemos observar que o próprio sistema dominante econômico do mundo trabalha com a possibilidade dessas mudanças políticas.

Essas mudanças políticas já aconteceram no Brasil, na Argentina e em outros países da América Latina. Então essa situação vivida no Brasil, quando busca retomar toda essa questão da privatização, não é algo orquestrado aqui no país, mas sim de uma política internacional que está sendo levada para o lado das privatizações.

O Neoliberalismo não tem uma visão de solidariedade e de compartilhar. A ideia é acumular sempre mais. Quem é pobre, continua pobre para trabalhar para enriquecer ainda mais que tem fortuna.

Caso haja a privatização Eletroacre, como ficaria os programas sociais?

Nós temos de experiência de empresas privatizadas do governo do passado que não conseguiram atender, de forma eficaz, famílias no Programa Luz para Todos e também outros programas sociais. Aqui no Acre, por exemplo, nós temos a Tarifa Social. Ela contempla famílias da periferia, que participam de programas de benefício do Governo Federal que tem uma redução significativa no valor da conta de energia.

Nós sabemos, caso aconteça a privatização, que não é só o Luz para Todos, que é subsidiado em 30% do valor gasto da energia do produtor que vai ter prejuízo. A Tarifa Social vai desaparecer, pois o empresário tem o seu negócio para ganhar dinheiro e não para fazer obra social.

E por isso nós entendemos que esse dever é do Estado. É ele que tem o dever de cumprir o papel social. Agora dentro de uma lógica neoliberal a defesa é do estado mínimo. Falam-se de redução do Estado, mas só no Governo Federal existe mais de 250 mil cargos comissionados. Então essa redução é fictícia, pois na prática ela não existe.

About the author

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *